A frenectomia em bebês, popularmente conhecida como cirurgia para “língua presa”, é um procedimento que desperta muitas dúvidas entre os pais. Embora pareça simples, as informações sobre sua real necessidade, os riscos envolvidos e o processo de recuperação podem gerar ansiedade. Este artigo visa esclarecer os pontos cruciais sobre a frenectomia, desmistificando crenças e apresentando verdades baseadas em orientações médicas e odontológicas experientes.
Em essência, a frenectomia lingual é realizada para corrigir o freio curto, um ligamento que une a parte inferior da boca à língua, impedindo seu movimento adequado. Essa condição, chamada anquiloglossia, pode afetar significativamente a amamentação. A boa notícia é que, quando indicada e bem conduzida, a cirurgia pode trazer alívio e garantir o desenvolvimento saudável do bebê, mas é fundamental abordar o tema com informação qualificada.
O que é a frenectomia e como ela é realizada?
A frenectomia, também chamada de frenotomia, é um procedimento cirúrgico rápido destinado a cortar ou liberar o freio lingual encurtado. O freio é a membrana que liga a parte de baixo da língua à boca. Quando essa membrana é curta ou espessa, ela restringe o movimento da língua, o que pode gerar dificuldades para o bebê em diversas funções, especialmente a amamentação.
O procedimento pode ser realizado de duas formas principais: com bisturi ou tesoura (técnica tradicional) ou com laser. “A técnica pode ser feita pela cirurgia tradicional, com tesoura ou bisturi, ou a laser”, explica Flávia Corrêa, cirurgiã-dentista e odontopediatra. Em geral, utiliza-se um anestésico local na região, e o procedimento dura poucos segundos. Não há idade mínima para a realização da frenectomia lingual, sendo comum em recém-nascidos, mas também pode ser feita em adultos. Para a frenectomia labial, alguns profissionais sugerem aguardar a erupção de certos dentes, como os caninos.
Quando a frenectomia é indicada?
A indicação da frenectomia é um tema que tem gerado discussões. Apesar de ser um procedimento de baixo risco, é uma intervenção cirúrgica, o que implica em potenciais riscos, como infecção e desconforto durante a recuperação. Por isso, a decisão deve ser tomada com cautela e baseada em uma avaliação profissional criteriosa.
Em alguns casos, a frenectomia pode melhorar consideravelmente problemas relacionados à amamentação. No entanto, é importante saber que, em muitas situações, o próprio organismo da criança pode remodelar o freio lingual ao longo dos meses, sem a necessidade de intervenção. “É preciso procurar a opinião de profissionais experientes no assunto, como um odontopediatra especialista em atendimento de bebês e aleitamento materno. Realmente, tem acontecido erros no diagnóstico e a decisão pela frenectomia deve ser tomada com cautela”, alerta a dentista. É fundamental buscar a avaliação de um odontopediatra especialista em aleitamento materno, que poderá diagnosticar corretamente o problema.
Sinais que podem indicar a necessidade da frenectomia
Embora muitos bebês com freio lingual curto consigam mamar sem maiores problemas, a incidência de dificuldades e dores durante a amamentação é comprovadamente maior nesses casos. Essa dificuldade pode impactar o ganho de peso do bebê, a hidratação e o desenvolvimento, além de causar problemas para quem amamenta, como dor nos mamilos, obstrução de ductos e até mastite.
Fique atento a estes sinais durante a amamentação:
- O bebê quebra a sucção com frequência.
- Sons de “clique” durante a mamada.
- O bebê não está ganhando peso adequadamente.
- Quem amamenta sente dor nos mamilos (o bebê pode estar mordendo em vez de sugar).
- A produção de leite parece estar diminuindo.
- O leite sai pelos cantos da boca do bebê.
É crucial ressaltar que nem toda dificuldade na amamentação está relacionada à língua presa. Fatores como a anatomia dos seios ou a posição de amamentação podem influenciar. Ao observar os sintomas listados, converse com o pediatra ou um profissional de aleitamento materno.
Amamentação após a frenectomia
Quando o diagnóstico confirma que a anquiloglossia está realmente atrapalhando a amamentação, a frenectomia pode ser a solução. O encurtamento do freio lingual pode impedir os movimentos adequados da língua para uma sucção eficaz. Após a cirurgia, com a liberação do freio, a amamentação tende a ocorrer de forma mais confortável e produtiva.
Segundo Flávia Corrêa, “A frenectomia vai fazer com que a língua seja mais projetada durante a mamada, permitindo que o aleitamento seja feito de maneira adequada”. Isso significa que, com a língua mais livre, o bebê consegue abocanhar o mamilo corretamente, garantindo uma ingestão de leite suficiente e sem dor.
Como é a recuperação da frenectomia em bebês?
A recuperação da frenectomia em bebês é geralmente rápida e com poucas complicações. Em muitos casos, não há necessidade de medicação pré ou pós-operatória. É comum que, logo após o procedimento, o bebê seja levado ao seio materno.
Contudo, como qualquer procedimento cirúrgico, é importante estar atento a sinais de alerta. Se o bebê apresentar secreções incomuns, fadiga excessiva ou calor na região da cicatriz, procure orientação médica. Em recém-nascidos, qualquer aumento na temperatura corporal deve ser avaliado por um profissional.
Alguns bebês podem apresentar aversão oral temporária ou dificuldade na amamentação nos primeiros dias, principalmente devido ao desconforto local. No entanto, a maioria se adapta rapidamente. A intervenção cirúrgica busca justamente facilitar a função da língua, permitindo uma amamentação mais eficiente e confortável para mãe e bebê.
Mitos e verdades sobre a frenectomia
Um mito comum é que a frenectomia é sempre necessária para qualquer bebê com freio lingual aparente. A verdade é que a necessidade da cirurgia depende da funcionalidade da língua e do impacto que o freio curto causa nas funções essenciais, como a amamentação. Muitos bebês com freio curto se desenvolvem perfeitamente bem.
Outra crença equivocada é que o procedimento é extremamente doloroso e traumático. Embora haja um desconforto inicial, as técnicas modernas e a rápida cicatrização minimizam a dor. A recuperação é, na maioria das vezes, tranquila e sem complicações significativas, com bebês retornando à amamentação logo após o procedimento.
É importante desmistificar a ideia de que a cirurgia é uma solução imediata para todos os problemas. A avaliação profissional é a chave. Um odontopediatra com experiência em amamentação pode fazer toda a diferença no diagnóstico correto e na indicação do melhor caminho para o bebê e a família.
A frenectomia é uma ferramenta valiosa quando bem indicada, auxiliando bebês a superar dificuldades de amamentação e garantindo um desenvolvimento oral adequado. A informação correta e a orientação de especialistas são os melhores aliados dos pais nesse processo.
